Técnicas de composição e enquadramento

Compartilhar

O uso de um bom equipamento possibilita obter imagens com boa nitidez e qualidade. Porém, é preciso também conhecer algumas técnicas de composição e enquadramento que, aliadas a certos níveis de criatividade conquistados com a prática, te possibilite produzir imagens que causem impacto e transmitam mensagens.

Uma composição bem construída é o segredo número um para uma imagem de sucesso, e depende da combinação de linhas, formas, cores, luzes e demais elementos da cena. Na fotografia nenhuma regra é absoluta, mas auxiliam muito seu desenvolvimento criativo para que você seja capaz de quebra-las ou adapta-las diante de variadas situações.

Para esta etapa de aprendizado, esqueça números, ajustes e regulagens. Se concentre apenas no que deseja incluir na imagem e utilize as seguintes técnicas para te auxiliar a encontrar a melhor forma de fazer isto.

1- Regra dos terços

Esta é, sem dúvidas, a regra mais popular e amplamente praticada. Seu conceito é simples e os resultados são imediatos, transformando completamente a estética de suas fotografias.

Como o nome nos indica, ela se baseia em terços: divida mentalmente a cena em 3 terços, horizontais e verticais, formando linhas semelhantes a um jogo da velha. Algumas câmeras facilitam nosso trabalho, permitindo que a visualização destas linhas seja ativada no visor ou no LCD. Os pontos de interseção entre elas representam os pontos chave ou os pontos de ouro, e devem ser utilizados para situar os seus principais elementos.

Observe neste exemplo que o rosto da modelo foi posicionado diretamente sob um dos pontos de ouro, proporcionando uma ótima sensação de equilíbrio. Tente imaginar a mesma foto sendo tirada com o rosto da modelo posicionado ao centro, como pessoas em geral automaticamente fariam. A imagem e a sensação de equilíbrio mudariam completamente e o resultado não ficaria satisfatório.

Ao enquadrar paisagens, utilize as linhas para delimitar o céu e a terra/água, deixando o plano principal ocupar dois terços da imagem.

Neste exemplo, a linha alta do horizonte deixa um amplo espaço para os elementos principais presentes no primeiro plano, composto pela praia e pelo mar. Grande parte da atenção do observador será desviada para estas áreas.

2- Deixe espaço para o movimento

Para fotografar pessoas ou objetos em movimento, a regra dos terços pode também ser aplicada como auxílio. Imagine que você vá fotografar esportes. Considere o sentido do movimento e sempre deixe um espaço à frente por onde ele possa acontecer, posicionando a pessoa ou objeto em um dos pontos de ouro.

Aplicando esta técnica, sua imagem transmitirá uma sensação de dinamismo, como no exemplo a seguir. Para intensificar ainda mais essa sensação, o fotógrafo utilizou também uma técnica chamada “panning” ao borrar o segundo plano.

3- Linhas guia

Essa é outra regra tradicional, porém pouco menos praticada que a primeira. A ideia é encontrar ou criar linhas capazes de atrair e guiar o olhar do observador, fazendo-o percorre-las pela imagem.

Tais linhas podem ser físicas (caminhos, paredes, vegetações) ou não (sombras, luzes, reflexos), sendo capazes de transmitir uma sensação de profundidade, como pode ser observado no exemplo a seguir. A estrada, em conjunto com a cerca e as árvores no primeiro plano, atraem os olhos e os conduz em direção ao topo da imagem.

Perceba que no ponto final de condução dos olhos seria possível posicionar um elemento de destaque, como um carro vindo em nossa direção. Tal decisão seria capaz de aplicar as 3 técnicas vistas até aqui simultaneamente, pois conduziria o olhar, utilizaria um ponto de ouro e haveria espaço para o movimento.

A imagem transmitiria as sensações de equilíbrio, dinamismo e profundidade!

4- Simetria

Após as regras anteriores demonstrarem que você não deve enquadrar o objeto ou pessoa de forma centralizada, esta regra diz exatamente o contrário. Há momentos em que estas composições funcionam bem. Cenas simétricas são perfeitas para isso!

Cenas com reflexos, como poças d’água ou lagos, também são ótimas oportunidade para se usar simetria no enquadramento.

5- Criando molduras

Esta técnica, conhecida em inglês como Framing, tem como conceito o uso de elementos da própria cena para criar uma moldura. Podemos usar, por exemplo, portas, janelas, cortinas, vegetação e túneis. As molduras naturais, como árvores e arbustos, são fáceis de encontrar e de serem aproveitados.

Além de direcionar a atenção, estas molduras podem fornecer uma sensação de contexto à imagem, sendo capazes de acrescentar histórias que serão contadas pela sua fotografia.

O exemplo abaixo é uma foto que fiz com meu celular durante uma viagem em novembro de 2018 a Paris. Nela, fiz uso da estrutura de uma ponte como moldura para a Torre Eiffel. É possível perceber a presença de inúmeras assinaturas e mensagens ali escritas, uma forma de transmitir o sentimento de diversos turistas que ali estavam pela primeira vez e, muito possivelmente, realizavam seu sonho de conhecer Paris, como foi o meu caso.

6- Reenquadre com cortes

Fazer cortes para reenquadrar imagens durante o tratamento no computador será algo corriqueiro, mesmo que seja apenas para remover uma pessoa que eventualmente apareça enquadrada nas bordas da imagem e você não tenha percebido.

Para que isso seja possível, a cena deve ter sido capturada com ângulos de visão pouco maiores do que o necessário, já que cortes requerem espaço de sobra para serem eliminados. Caso o enquadramento seja muito fechado no assunto principal, cortes como esse podem ser impossíveis de serem realizados por eliminarem partes da cena que não poderiam ser eliminadas.

Por isso, geralmente, enquadrar com ângulos maiores que o necessário pode se tornar uma prática bastante útil!

Pratique!

Para utilizar estas regras no início, você provavelmente terá que se esforçar para se lembrar e aplicar os conceitos durante o momento em que estiver fotografando. Com o passar do tempo, você passará a usar as regras naturalmente, sem ao menos perceber que está aplicando-as.

Criatividade só se desenvolve com experiência, e experiência só se desenvolve com prática! Por isso, pratique o quanto puder. Aproveite que a fotografia digital não lhe impõe limites, como na época da fotografia de filme, e dispare a vontade!

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *